Muito embora ínsita em escrever, em atendimento às torrenciais ondas de pensamentos que insistem, constantemente, em inundar minha mente, confesso, e seria tolice de minha parte tentar tal proeza, não querer decifrar os motivos que levam os seres humanos a viverem tão contraditoriamente.
Escrevo para externar meus pensamentos e saciar minha vontade de despertar nas pessoas um ceticismo, prévio, que funcione como uma barreira, embora superficial, de proteção contra as imposições externas. Pois só após a reflexão acerca das mais diversas situações, teremos segurança em nossa jornada.
Muito embora tenha a noção exata de que o “certo e o errado” são apenas diferentes modos de entender a relação que temos com os outros, e não com nós mesmos, confesso minha perplexidade quanto à certas ações e atitudes de alguns seres. Porém, em observância à minha concepção de certo e errado, adianto não estar aqui a conjecturar sobre falhas alheias apenas sob minha percepção individual. Exponho sob uma ampla perspectiva.
É interessante perceber que cada vez mais pessoas, e atribuo à isso a perpetuação de alguns ditos populares, embora aqui o apresente inversamente, tem para si, creio que como justificativa de seus erros e falta de personalidade, a concepção de que “os fins justificam os meios”.
Isto porque muitos dos seres humanos usam de artifícios, em desfavor na maioria das vezes do bem estar alheio e de seu próprio caráter, este último comprovadamente inexistente em algumas pessoas, para alimentarem o seu egocentrismo.
Lamentável assistir esse drama, cujo final, embora inalcançável dependendo da sua perspectiva, culminará no fim da existência humana, não sem antes vermos o assassinato de algumas regras e costumes, os quais herdamos de civilizações, e pasmem com o paradoxo, mais antigas, porém comprovadamente mais inteligentes que a nossa, cujos os objetivos eram organizar a vida em sociedade.
Estamos coletivamente assistindo ao fim da “coletividade”.
Discordo de Ricardo Reis, um dos três heterónimos do poeta e escritor português Fernando Pessoa, quando diz que “sábio é o que se contenta com o espetáculo do mundo”. Não sei se por não ter conhecimento de causa, já que se tratam de épocas diferentes, atribuo meu ceticismo quanto à frase deste célebre poeta lusitano, ao medo do futuro.
Um medo embasado numa análise da espécie humana ao longo das gerações, cuja conclusão não é das melhores.
Certo estava o saudoso, porém não menos importante dado a sua característica indiscutivelmente revolucionária e desafiadora quanto aos dogmas estabelecidos por algumas instituições e seguida por seres intelectualmente incapazes, José Saramago quando disse “Do chão só devemos querer o alimento e aceitar a sepultura, nunca a resignação”.
Assistimos hoje, não mais perplexos quanto antigamente quando ainda existiam, embora ínfimos, resquícios de altruísmo, principalmente no que concerne aos “escolhidos” quanto ao atendimento do objetivo precípuo da regência pública-institucional, largamente pregados nos inflamados discursos e nas vãs articulações, estas feitas ao “pé do ouvido” por aqueles cujo objetivo está contraposto ao do que esperançosamente escuta, a capacidade “mitomaníaca” que parece brotar ao se darem conta que dispõem do lúdico sentido de “poder”.
Um paradoxo. A Democracia em prol de um sistema que favorece aqueles cujas ações fluem em desfavor da grande maioria. O ser humano algoz de seus pares.
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