Existem características que são tipicamente brasileiras. Uma delas é a eterna espera pelo “futuro”.
Assim como em todos os outros assuntos que interessam à nós brasileiros, também no futebol, temos que esperar pelo “futuro”. Prorrogar nossas alegrias.
Esperamos quatro anos por este momento. Porém, à exemplo de 2002 e 2006, a esperança do Hexacampeonato mais uma vez teve que ser adiada.
Entretanto, considerando o material humano selecionado pelo nosso treinador, que claramente nos dava mostra de que não poderíamos esperar outra coisa, nos levou a adiar novamente o sonho da vitória. Lamentar não se faz necessário, pois logo após à convocação já tínhamos esse presságio.
Porém, o apelo da mídia, que alardeava através dos meios de comunicação que esse é “o país do futebol”, e que, como tal, nunca poderia desistir, trouxe uma centelha de esperança, a mesma que levaria todos à atual frustração.
Pois se tivéssemos nos mantido céticos quanto ao título, considerando o time levado para a disputa da competição, não teríamos nos decepcionado tanto.
É verdade que deveríamos torcer e acreditar no time, afinal, com exceção do carnaval, o futebol é nossa única alegria.
Maravilhosa ilusão.
Agora ficamos nós, cidadãos torcedores, buscando respostas para toda essa confusão. Muitos dos jogadores tentam justificar a derrota com lágrimas e discursos de que o time poderia ter rendido mais. Não consigo acreditar.
Esse elenco foi o que mais rendeu. Pergunte aos publicitários quantos milhões de reais foram gastos nas campanhas publicitárias e nos cachês pagos aos jogadores para exporem seus rostos na mídia.
Corre, “à boca pequena” a história, e esse não é um assunto pós-derrota, de que uma negociação foi feita, pela qual o Brasil perderia esta edição, e venceria a próxima em “sua própria casa”. De fato existem circunstancias agravantes que dão margem à tal especulação, já que ótimos jogadores não foram convocados, perdemos de fato a chance de vencer esta edição, e temos uma vitória, em nossas terras, ainda não consumada. Além de outros assuntos conforme já comentei no meu posto anterior intitulado ‘“País do Futebol?”
Pura especulação? Pode até ser.
O fato é que isso não revoga nossa condição de “país do futuro”. Agora, os meios de comunicação implantarão nas mentes dos brasileiros o sentimento de que em 2014, aqui no Brasil, a história será diferente. Tentem sobreviver aos impostos, que com certeza aumentarão, haja vista que o povo é quem financiará, com o seu trabalho, a construção dos novos estádios e toda a estrutura necessária à realização do evento, e vocês verão.
Porém lamento informar que os discursos não vão parar por aí, e nem ficarão restritos ao futebol.
Estamos às voltas do início efetivo das campanhas eleitorais. E o discurso do “país do futuro” estará novamente em voga. Digo efetivo pelo fato de o Presidente, que de nada sabe ou nunca soube, já começou a campanha, pelo “seu avatar”, há muito tempo. Mostrando um completo desrespeito pela legislação vigente. Razão pela qual vem sendo constantemente multado, muito embora a Advocacia Geral da união tenha conseguido vetar o pagamento da maioria delas.
Começarão os redundantes discursos dos mágicos candidatos, que em uníssono prometerão, para “o futuro”, a solução dos problemas que afligem este país.
Nos resta agora, protelar a história do hexacampeonato por mais quatro anos, ou seja, para “o futuro”. Afinal no Brasil nunca seremos felizes no agora. Seremos sempre muito, e muito mesmo, felizes no futuro, no amanhã, mesmo que seja amanhã ou depois, e tanto faz se depois for nunca mais. Já nos acostumamos.
Até breve, meus Prezados “Brasileiros do futuro”.
Aguardem e confiem.

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