sábado, 26 de junho de 2010

A Vontade Liberta porque é criadora

Por muitos anos o ser humano foi, e continua sendo, mutilado psicologicamente, tendo que exorcizar características naturais e indissociáveis à sua condição de ser racional.

Por milhares de anos, em favor da fé em algo improvável, lhe foi proibido revelar sua latente natureza física, inclusive pensar.

Por todo esse tempo o “não” foi demasiadamente imputado nas mentes dos seres humanos. “...não invocarás... não matarás...não roubarás...etc”. Nada lhe é permitido. E tais imposições são propagadas até os dias atuais. Entretanto, muitos fazem isso impunemente.

Por muito tempo os religiosos vêm tentando a todo custo manter os seres numa cruel ignorância. É lamentável que ainda consigam tal façanha.

Exploram a superstição e escravizam os seres, num universo onde a contestação é pecaminosa e digna de retaliações, por parte de um Deus todo poderoso e cujo amor é incondicional à todos os seus. Enxergo aqui um grande paradoxo.

Como mostra a história, muitos foram mortos, torturados e massacrados em nome desse Deus. É praticamente impossível quantificar o número de seres que foram perseguidos e mortos, apenas por terem contestado a existência, até hoje sem provas, desse Deus e de seus poderes. Até os livros onde estavam impressas as opiniões e os estudos daqueles seres pensantes foram exterminados.Todo o conhecimento foi exterminado.

Até hoje, à despeito de toda a evolução intelectual e tecnológica, contestar tal existência é vista com maus olhos.

Somos aviltados de nossos pensamentos e vontades naturais, em nome de uma salvação, cuja prova de sua existência é impossível, assim como a do próprio Deus. Este por sua vez responsável pelo julgamento.

Confesso ser difícil acreditar sem contestar, tendo em vista que a vontade de criar e crescer, tão latente e incontestável, é que liberta o ser humano da estagnação. Sem tal vontade, estaríamos fadados a vermos morrer e sepultarmos nossos entes queridos, acometidos por doenças ou simples acidentes, sem lhes dar a chance de recuperação apenas por acreditar ser a vontade divina.

A ciência, largamente combatida por alguns religiosos, iluminou e possibilitou novos caminhos. Possibilitou a extensão da vida por maiores períodos.

É característica dos fracos transferir a causa dos seus inúmeros fracassos e decepções a tudo o que está além e acima dele (em Deus ou no diabo, nos nobres, no senhor, no patrão, etc..). Continuam sendo fracos e temerosos quanto à contestação. Acreditam em antigas e contraditórias escrituras encontradas em livros, estes por sua vez vendidos como sendo a verdade suprema devidamente impressa.

Livros contraditórios em relação aquilo que pregam os religiosos. Como explicar o que escrevi acima, lembra? “...não matarás e blá blá blá...”, quando é possível encontrar numa breve leitura da Bíblia a exortação à morte. A justiça empregada pelas próprias mãos. Basta ler "Gn 9:6".

Onde ficam então os conceitos que pregam a crença numa justiça unilateral exclusiva de “Deus”?

Somos seres capazes de raciocínio, e como tais devemos buscar, a todo custo, a evolução que nos foi cerceada em nome de uma cega fé no que é impossível de constatação.

Parafraseando Nietzche “O ser humano ainda é um animal não definido”.

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