
O presidente Lula defendeu, nesta terça-feira (01) em Brasília, a carga tributária brasileira, num discurso de improviso na reunião da Cepal, a Comissão Econômica para América Latina e Caribe. “Tem muita gente que se orgulha de dizer: no meu país, a carga tributária é apenas 9%. No meu país, a carga tributária é apenas 10%. Quem tem carga tributária de 10% não tem Estado. O Estado não pode fazer absolutamente nada”, disse.
O que muito me intriga é que existam pessoas capazes de concordar com tal infeliz afirmação.
Muito embora concorde quanto à necessidade de existência dos impostos para a manutenção e funcionalidade do estado, para que este possa oferecer aos seus cidadãos aquilo que reza nossa constituição, no que concerne aos seus direitos, é lamentável o paradoxo existente se compararmos a nossa realidade com a de países de primeiro mundo. Paradoxo que muita gente, ao que parece, prefere não enxergar.
O Governo deste país escravizou seus cidadãos, em favor de uns poucos famigerados e filhos de uma impunidade já indissociável à imagem deste país, com uma alta carga tributária.
A colocação, infeliz, do Presidente se justificaria se a alta carga tributária, comum também a outros países, fosse, não só pelo “saque” no bolso do contribuinte, mas também comum pelo alto grau de qualidade dos serviços públicos lá ofertados.
Assim surge o paradoxo. Pois ao mesmo tempo em que se defende cobrança dos impostos, dos quais infelizmente estamos fados a sermos eternas vítimas, não nos dão motivos para a manutenção dos mesmos em níveis tão altos, pois como sabemos o dinheiro arrecadado é muito mal gerido.
São 23:25h desta quarta-feira, e enquanto digito este estou monitorando o site do “impostômetro”1, o qual apresenta a inacreditável soma de R$ 501.689.344.267,54 e contando, incansável e ininterruptamente. Incansavelmente porque a lista de tributos, que resultaram nestes números acima mencionados, é paga por cada um de nós. Salvo engano, e possíveis, porém pequenas, variações, cada cidadão já pagou de impostos, em média, R$ 2.613,29.
O desconhecimento acerca dos impostos embutidos em tudo o que compramos neste país é preocupante. Atribuo à isso essa aceitação tão passível e a falta de manifestação em oposição por parte de nossa gente. O Governo, claro, não faz nada para inverter tão situação. Confesso que ficaria surpreso se isso viesse a acontecer. Porém não basta saber o quanto de imposto estamos pagando, temos que ver os resultados obtidos com os gastos de tais arrecadações.
Sendo hoje o Dia Internacional das prostitutas, não poderia encerrar este post de outra forma, já que não quero me alongar ainda mais, senão parafraseando o Dr. Cal Lightman, personagem interpretado pelo ator Tim Roth na série Lei to me2 que disse: “...todos nós pagamos por sexo, as prostitutas apenas sabem negociar o preço...”.
Metaforicamente, então, somos os clientes de umas prostitutas insaciáveis que nos cobram valores altíssimos por um gozo fingido, e nós em nada reclamamos, pois estamos no “país da “sacanagem e do faz de conta” onde tudo é permitido. É aqui, onde as putas fingem que nos dão o que merecemos pelo valor que pagamos, e nós, fingimos que estamos satisfeitos. Realmente, elas são profissionais na arte da “cobrança”.
1 http://www.impostometro.org.br/
2 http://pt.wikipedia.org/wiki/Lie_to_Me_(série_de_televisão)

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